CENÁRIO MACRO
O mês de agosto foi marcado por recuperação dos ativos de risco nos mercados globais. A percepção de que o comércio internacional está menos pressionado pelas tarifas americanas e a expectativa de início do ciclo de cortes de juros pelo Fed em setembro direcionaram o comportamento positivo dos ativos de risco ao longo do mês.
Nos Estados Unidos, os dados confirmaram a perda de dinamismo do mercado de trabalho. O payroll de agosto trouxe criação líquida de 73 mil vagas, abaixo da média histórica recente, enquanto as revisões de meses anteriores retiraram mais empregos da série. A taxa de desemprego avançou para 4,3%, reforçando sinais de enfraquecimento no mercado de trabalho. Apesar disso, o consumo das famílias ainda se mostrou resiliente, apoiado por balanços patrimoniais sólidos. O PIB do 2T25 foi revisado em 3,3% t/t, mas a projeção para o 3T25 é de desaceleração para cerca de 2,0%.
No front político, a possível demissão da diretora Lisa Cook pelo presidente Trump reacendeu o debate sobre a independência do Federal Reserve.
Embora não haja clareza jurídica para a medida, o episódio adicionou ruído institucional e reforçou temores de interferência política no processo decisório de política monetária. Ao mesmo tempo, a inflação segue impactada pelas tarifas, mas vem sendo compensada por uma desaceleração da inflação de serviços no geral. No simpósio de Jackson Hole, Jerome Powell classificou a política atual como restritiva e abriu espaço para cortes graduais, tratando as tarifas como choque temporário. O mercado precifica três cortes de 25bps até o fim do ano, mas parte do comitê permanece cautelosa diante do possível choque inflacionário causado pelas tarifas.
Na China, os números de agosto reforçaram a tendência de desaceleração. A produção industrial cresceu 5,7% a/a, ante 6,8% em julho, enquanto as vendas no varejo avançaram 3,7% a/a e os investimentos em ativos fixos recuaram 5,2%, maior queda desde a pandemia. A crise imobiliária e as medidas regulatórias continuam a pesar sobre a confiança, e os estímulos anunciados por Pequim, subsídios ao consumo e projetos de infraestrutura, parecem insuficientes para reverter a fraqueza no curto prazo.
No Brasil, os indicadores de agosto confirmaram a moderação da atividade econômica. A produção industrial e as vendas no varejo ficaram abaixo das expectativas, refletindo crédito mais restrito e confiança do empresariado em queda. Ainda assim, o mercado de trabalho manteve robustez, com taxa de desemprego em 5,8%. As projeções do FOCUS acerca do IPCA em 12 meses foram sucessivamente revisadas para baixo, em função de leituras mais benignas da inflação de serviços e de alimentos.
Nos mercados, os ativos locais tiveram performance positiva apesar do aumento das tensões diplomáticas com os EUA e pelo ambiente político doméstico. Os ruídos no mercado interno se intensificam cada vez mais, entretanto, o mercado local segue seguindo majoritariamente a performance dos seus pares globais, tanto na bolsa, quanto no câmbio.
MERCADO DE CREDITO PRIVADO
O mês de agosto foi marcado por um ambiente de maior cautela no mercado de crédito, refletindo um cenário macroeconômico ainda instável e permeado por incertezas quanto à trajetória de juros, à atividade econômica e às variáveis fiscais.
Vale destacar que, no período, o IDA-DI — índice de debêntures da ANBIMA que reflete o desempenho de uma carteira representativa de dívida privada — apresentou performance inferior ao CDI. O resultado chama atenção, sobretudo porque se espera que ativos de crédito privado ofereçam retorno acima da taxa livre de risco. Essa diferença foi influenciada por fatores como a reprecificação de ativos no mercado secundário e fluxos pontuais de venda no mês. Por sua composição ampla, o índice também pode ser impactado por poucos emissores, o que reforça a importância de uma gestão ativa e criteriosa. Em um cenário de maior dispersão de retornos, esse descolamento evidencia os riscos de estratégias passivas e ressalta a relevância de uma abordagem focada em liquidez, seletividade e controle de risco.
No mercado primário, o volume total de emissões foi de R$ 42,3 bilhões, mantendo a tendência de queda observada nos últimos meses. Entre as debêntures incentivadas, o volume captado foi o menor desde abril. Por outro lado, as ofertas em andamento somavam R$ 93,8 bilhões ao fim do mês, sinalizando uma disposição latente para captação, assim que as condições de mercado se tornarem mais favoráveis.
Em contraste, o mercado secundário atingiu volume recorde de R$ 106,4 bilhões, impulsionado principalmente pelas debêntures não incentivadas, que movimentaram R$ 55,0 bilhões, enquanto as incentivadas somaram R$ 32,1 bilhões. A mediana dos spreads em papéis atrelados ao CDI caiu 7 bps, enquanto os percentis 25 e 75 apresentaram leve abertura. No segmento de incentivadas, os spreads recuaram de forma mais ampla, com a mediana passando de -7 bps para -20 bps. A curva de juros apresentou fechamento de aproximadamente 40 bps nos vértices curtos, enquanto os longos permaneceram estáveis.
A indústria de fundos também mostrou sinais de recuperação. Os fundos de crédito privado registraram captação líquida de R$ 16,5 bilhões no mês, enquanto os fundos de infraestrutura captaram R$ 14,1 bilhões — um dos melhores resultados do ano.
Diante desse cenário, mantivemos uma gestão pautada por liquidez elevada, qualidade de crédito e baixa alavancagem. Seguimos com duration reduzida e alocação relevante em caixa, o que nos confere flexibilidade para atravessar cenários adversos e capturar oportunidades com agilidade. Priorizamos emissores com fundamentos sólidos, fluxo de caixa previsível e estruturas de capital robustas, combinando diversificação e rigor na seleção. A alocação em FIDCs vem sendo ampliada de forma gradual, sempre com foco na qualidade dos créditos, o que tem contribuído positivamente para o carrego da carteira.
Butiá Top FIF CIC Renda Fixa
Em agosto, o BUTIÁ TOP FIF CIC RENDA FIXA apresentou rentabilidade de +1,12%, levemente abaixo do CDI (96,15% do CDI). Nos últimos 12 meses, o fundo acumulou retorno de + 13,27% (102,76% do CDI). O carrego bruto no final do mês fechou em CDI + 0,79%, e a duration de 1,32 anos.
O resultado do período refletiu, sobretudo, o fechamento dos spreads da maior parte das debêntures da carteira, além da contribuição positiva das alocações em FIDCs e em instituições financeiras. Entre os principais destaques de performance estiveram Rede D’Or, Vix, Iochpe-Maxion, Algar e Energisa. Não realizamos mudanças relevantes nas posições durante o mês.
Seguimos atentos ao mercado e continuamos identificando boas oportunidades em operações estruturadas, com foco em ativos de qualidade e geração consistente de valor.
Butiá Plus FIF Renda Fixa
No mês de agosto o BUTIÁ PLUS FIF RENDA FIXA apresentou rentabilidade de + 1,08%, levemente abaixo do CDI (93,03% do CDI). Nos últimos 12 meses, o fundo acumula retorno de +12,69% (98,31% do CDI). Ao final do mês, o carrego bruto encerrou em CDI + 0,84 e a duration de 1,52 anos.
O resultado do período refletiu, sobretudo, o fechamento dos spreads da maior parte das debêntures da carteira, além da contribuição positiva das alocações em FIDCs e em instituições financeiras. Entre os principais destaques de performance estiveram Rede D’Or, Algar, Iochpe-Maxion, Vix e Copasa. Não realizamos mudanças relevantes nas posições durante o mês.
Para os próximos períodos, continuamos atentos a oportunidades atrativas em operações estruturadas, que acreditamos poder fortalecer ainda mais a trajetória de resultados do fundo.
Butiá Debêntures Fundo Incentivado Infraestrutura RF
Em agosto o BUTIÁ DEBÊNTURES FI INFRA RENDA FIXA apresentou rentabilidade de 1,57% no mês. Nos últimos 12 meses, o fundo acumulou retorno de + 7,51%, líquido de IR. O yield da carteira encerrou o mês em 8,10% e a duration ao final do mês foi de 3,57 anos.
Como destaque positivo de performance, tivemos as posições de Aliança Geração de Energia, Janaúba Transmissora de Energia Elétrica, Rumo, Jales Machado e Neoenergia. Quando olhamos a performance dos principais índices atrelados aos Títulos Públicos IPCA+, o IMA-B 5, IMA-B e IMA-B 5+ renderam, respectivamente, 1,18%, 0,84% e 0,54%.
O Fundo de debêntures incentivadas, tem a prerrogativa de manter 85% da sua carteira em debêntures destinadas ao financiamento de infraestrutura pela lei 12.431, concedendo assim a isenção de IRRF ao seu cotista. Nosso mandato então, se adequa a filosofia de investimentos em projetos que devem fomentar o crescimento econômico e por isso, referenciamos o nosso fundo ao IMA-B 5, benchmark que em nosso entendimento tem maior alinhamento de interesses com os cotistas e corrobora com a visão de longo prazo da estratégia.
Butiá Top Icatu Seg Previdência Resp Lim FIF RF CP
Em agosto, o BUTIÁ TOP ICATU SEG PREVIDÊNCIA RESP LIM FIF RF CP apresentou rentabilidade de +1,08%, levemente abaixo do CDI (93,03% do CDI). Nos últimos 12 meses, o fundo acumula retorno de +12,69% (98,31% do CDI). Ao final do mês, o carrego bruto encerrou em CDI + 0,84 e a duration de 1,52 anos.
O resultado do período refletiu, sobretudo, o fechamento dos spreads da maior parte das debêntures da carteira, além da contribuição positiva das alocações em FIDCs e em instituições financeiras. Entre os principais destaques de performance estiveram Rede D’Or, Algar, Iochpe-Maxion, Vix e Copasa. Não realizamos mudanças relevantes nas posições durante o mês.
Para os próximos períodos, continuamos atentos a oportunidades atrativas em operações estruturadas, que acreditamos poder fortalecer ainda mais a trajetória de resultados do fundo.
MERCADO DE AÇÕES
Butiá Fundamental FIF CIC Ações e Butiá Fundamental Long Biased FIF CIC Ações
No mês de agosto o BUTIÁ FUNDAMENTAL FIF CIC Ações registrou uma alta de 8,65%, acumulando um retorno de 11,16% em 12 meses. O BUTIÁ FUNDAMENTAL LONG BIASED FIF CIC Ações teve uma alta de 5,66% no mês, e nos últimos 12 meses, acumula um retorno positivo de 12,05%. Em comparação, o Ibovespa teve uma alta mensal de 6,28% e acumula uma alta de 3,98% em 12 meses.
O grande destaque do mês foi o aumento das expectativas de corte na taxa de juros norte-americana, após Jerome Powell adotar um discurso mais brando em suas declarações recentes. A sinalização veio em resposta a indicadores de mercado de trabalho mais fraco e à ausência de pressões inflacionárias adicionais. Esse movimento repercutiu diretamente no mercado doméstico, promovendo o fechamento da curva de juros brasileira e impulsionando o desempenho do Ibovespa. Empresas mais sensíveis à dinâmica das taxas de juros foram as principais beneficiadas, refletindo uma maior propensão ao risco por parte dos investidores.
No último mês, as ações da Eletrobras e do Grupo GPS foram as de maior rentabilidade na carteira. A Eletrobras se destacou ao anunciar uma nova política de dividendos, com a distribuição de R$4 bilhões, resultado de uma reestruturação bem-sucedida que otimizou custos e geriu passivos. Esse movimento, que reflete uma visão otimista sobre os preços futuros de energia, aumenta a previsibilidade e o retorno para os acionistas. Já o Grupo GPS impulsionou seus resultados com números do 2º trimestre de 2025 acima do esperado, acompanhados de uma perspectiva positiva para os próximos meses, especialmente no crescimento orgânico e na melhoria das margens.
No campo negativo, as ações da Prio e da Embraer apresentaram as piores performances, com a Prio sendo impactada pela queda dos preços do petróleo Brent e pela interdição do campo de Peregrino pela ANP por um período estimado de 3 a 6 semanas. A Embraer, por sua
vez, foi afetada por desafios macroeconômicos no setor aéreo, incluindo incertezas sobre tarifas que levaram à saída de fabricantes como a Pilatus do mercado americano e à devolução recente de aeronaves por parte da Azul, além de uma queda no otimismo após o Paris Air Show.
Ao longo do mês, aproveitamos o melhor cenário para reduzir o caixa e alocar mais em posições da carteira, com o principal aumento de exposição ao setor financeiro, seguido do setor de utilities e por fim, ações ligadas ao consumo discricionário. Já ao final do mês, com a bolsa atingindo a máxima histórica e com aumento de tensões globais, além de incertezas sobre a relação entre o Brasil e os Estados Unidos, reduzimos a exposição ao risco e recompomos o caixa.
MULTIMERCADO
Butiá Excellence FIF CIC Multimercado e Butiá Excellence Previdência FIF CIC Multimercado
Em agosto, o BUTIÁ EXCELLENCE FIF CIC MULTIMERCADO apresentou alta de 1,20% e o BUTIA EXCELLENCE PREVIDÊNCIA FIF CIC MULTIMERCADO registrou alta de 1,11%, acumulando um retorno positivo de 10,86% e 10,13%, respectivamente nos últimos 12 meses, contra 1,17% do CDI no mês e 12,92% em 12 meses.
Com um pouco menos de ruído tarifário global, os dados econômicos retomaram protagonismo nos mercados norte-americanos — especialmente com o retorno das expectativas de cortes na taxa básica de juros. Após indicadores de emprego mais fracos e inflação dentro do tolerável, Jerome Powell adotou um tom mais favorável a cortes durante seu discurso no simpósio de Jackson Hole, o que derrubou o segmento curto da curva de juros. Esse novo contexto impulsionou o S&P 500, que apresentou valorização de aproximadamente 2% no mês, mantendo sua trajetória positiva. Mesmo um guidance conservador da NVIDIA não foi suficiente para alterar a tendência, já que o mercado segue impulsionado pelas teses ligadas à inteligência artificial. No plano político, preocupa a tentativa do governo Trump de intervir diretamente nas decisões do Fed — inclusive com a demissão “por justa causa” da governadora Lisa Cook, sob acusação de conduta ilícita em aplicações hipotecárias. Cook contestou a movimentação na Justiça, pedindo uma liminar para impedir sua destituição, em uma disputa que põe em xeque a independência do banco central americano.
No cenário internacional, o conflito entre Rússia e Ucrânia continua estagnado, sem sinais de avanços ou intensificação. Ainda assim, o ouro voltou a se destacar no fechamento do mês, atingindo novas máximas como porto-seguro em meio à incerteza. O petróleo Brent manteve-se estável, abaixo dos US$ 70 por barril. A China vem adotando estímulos econômicos — especialmente voltados ao consumo — o que contribui para sustentação dos preços do minério de ferro em níveis elevados. Na Europa, crescem as preocupações sobre a sustentabilidade das dívidas soberanas, com as taxas de juros de longo prazo iniciando tendência de
alta.
O discurso de Powell repercutiu no Brasil: a possibilidade de cortes na taxa americana favoreceu o fechamento de toda a curva brasileira, apesar de dados recentes do IPCA-15 mostrarem pressões sobre os componentes de inflação de núcleo e serviços, ainda em patamares elevados. A queda de juros nos EUA, aliada à melhora nas expectativas políticas — reforçada por pesquisas de intenção de voto que sugerem maior chance de alternância no poder — impulsionou o Ibovespa, que subiu mais de 6% no mês. O real também se valorizou em relação ao dólar. Outro fator foi a ausência de novos avanços nas sanções contra o Brasil, que manteve o clima doméstico mais favorável, embora esse siga sendo um risco relevante nos próximos dias, diante do avanço do julgamento do ex-presidente Bolsonaro.
Diante desse cenário mais favorável ao Brasil, registramos desempenho superior ao CDI graças a posições aplicadas em juros, bolsa brasileira, S&P500 e ouro. Contudo, tivemos perdas em posições compradas em dólar contra real, criptoativos e na estratégia long/short direcional, com posição comprada em dólar e vendida em bolsa brasileira. No momento, mantemos as posições, com ajustes táticos: reduzimos a exposição à bolsa brasileira e ao dólar, e invertemos gradualmente a posição no S&P — de levemente comprada para levemente vendida — para adotar alocações táticas de curto prazo. Nossa principal posição de risco permanece nos juros nominais de curto prazo.
