CENÁRIO MACRO
Dezembro encerra um ano em que, apesar de volátil, foi benéfico para ativos reais como ouro, prata e bolsas globais, que lideraram os ganhos ao longo do ano. No fim do mês, a ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela recolocou a geopolítica no centro da precificação e reforçou a leitura de um mundo em busca de uma nova ordem. Esse arranjo tende a manter prêmios de risco mais altos e sustentam a busca por ativos de proteção.
Nos Estados Unidos, a atividade segue em ritmo moderado e saudável. O consumo permanece sustentado por balanços ainda sólidos, o investimento ligado a tecnologia e inteligência artificial mantém o capex ativo e a normalização de choques de oferta segue ancorando a desinflação. Em conjunto, os dados seguem compatíveis com um pouso suave, com arrefecimento gradual dos núcleos de inflação e um mercado de trabalho em ajuste ordenado.
No FED, com a nova recomposição do comitê e o ambiente político podem levar e resultar em uma menor independência institucional. As eleições de meio de mandato aumentam o incentivo para medidas de apelo popular; Trump já tem ventilado transferências diretas à população por meio de
cheques em valores entre 1.000 e 2.000 dólares. Essa conjuntura causa uma incerteza na trajetória dos juros americanos.
Na China, a política de anti-involution pode ganhar tração, com foco em qualidade do crescimento e contenção da expansão de capacidade em setores específicos. Grandes pacotes ficaram para trás, e o suporte deve continuar mais pontual. O motor que sustenta a atividade é o canal externo: exportações para outras regiões compensam parte da fraqueza doméstica e ajudam a prolongar a desinflação de manufaturados no cenário global.
Em paralelo, o reposicionamento industrial e a busca por autonomia tecnológica sugerem atuação mais ativa na geopolítica.
No Brasil, a ata do Copom reconheceu a desaceleração em curso, mas não colocou corte na mesa. O diagnóstico combina inflação mais benigna no horizonte relevante, expectativas próximas da meta, sinais de arrefecimento no mercado de trabalho e crédito ainda restritivo. O comitê mantém a dependência de dados, preservando a opção de iniciar a flexibilização quando houver maior confiança na convergência dos núcleos.
Nos mercados locais, a perspectiva de início de ciclo de cortes ao longo do ano tende a ser um dos principais vetores para os ativos domésticos. A partir de abril, o calendário eleitoral eleva a probabilidade de episódios de volatilidade, com efeitos mais visíveis no câmbio e nos prêmios de prazo.
MERCADO DE CREDITO PRIVADO
Encerramos 2025 com um mês de estabilidade, repetindo o padrão observado em novembro. Os spreads dos títulos atrelados ao CDI+ permaneceram praticamente inalterados em todos os setores e ratings. Já nos títulos indexados ao IPCA+, houve uma leve abertura nos spreads. Nesse cenário, nossos fundos de crédito mantiveram consistência nos resultados e, no consolidado do ano, superaram seus referenciais.
O pano de fundo ajuda a entender esse desempenho. Com a Selic em 15% e juros reais elevados durante boa parte de 2025, o investidor continuou priorizando renda fixa, embora em ritmo mais brando. A indústria captou cerca de R$ 66 bilhões no ano, bem abaixo dos R$ 259 bilhões de 2024. Dentro da classe, os fundos de crédito privado foram protagonistas, com recorrentes retornos acima do CDI e forte procura por debêntures incentivadas, favorecidas pela isenção, ainda que com desempenho menos exuberante que em 2024. A tentativa de mudança tributária via MP 1.303 acelerou entradas e reduziu taxas no pico da demanda e, quando a medida perdeu a validade, provocou apenas uma correção breve, sem reabrir prêmios de forma relevante. A lição permaneceu: spreads baixos pedem disciplina redobrada na seleção e apreço por liquidez.
Os gráficos abaixo ilustram a dinâmica descrita ao longo do ano nos ativos de maior qualidade de risco (AAA) — o universo high grade, foco das carteiras da Butiá. Observamos compressão relevante de spreads no primeiro semestre, um episódio técnico no quarto trimestre e encerramento próximo da estabilidade em CDI+ e de normalização em IPCA+. Para a indústria, isso significou ganhos de marcação a mercado e captações robustas no início do período e, depois, um ambiente em que o carrego voltou a ser o principal motor de retorno, exigindo maior seletividade em preço, duration e liquidez.
Do lado de oferta e liquidez, 2025 somou aproximadamente R$ 689 bilhões em emissões primárias, ligeiramente acima de 2024, enquanto o secundário cresceu cerca de 26%. O fluxo foi o motor do ano, em especial nos fundos de infraestrutura, cujo patrimônio líquido na classe avançou, saindo de R$ 50 bilhões em 2023 para
R$ 162 bilhões em 2024 e R$ 322 bilhões em 2025, em um ciclo de juros reais que chegaram a IPCA + 7,5% nas NTN-Bs. Em outras palavras, o mercado recompensou quem manteve a combinação adequada de qualidade, preço e tempo.
Olhando adiante, em 2026 o mercado já embute queda de juros, com Selic média esperada em torno de 13%. Esse cenário preserva retornos nominais atraentes na renda fixa e, ao mesmo tempo, tende a reaquecer o primário de debêntures, CRIs e CRAs. Em janelas de emissão bem estruturadas, com garantias e covenants objetivos, é razoável esperar retornos ajustados ao risco superiores aos dos títulos públicos.
A fotografia de dezembro traduz um ano em que juros muito altos conviveram com forte demanda por crédito privado, comprimindo prêmios e exigindo disciplina redobrada na seleção. Mantivemos a bússola: liquidez, qualidade e preço, com baixa tolerância a assimetrias negativas. Essa postura, reforçada ao longo de 2025, continua sendo o nosso Norte para 2026.
Butiá Top FIF CIC Renda Fixa
Performance: em dezembro, o fundo rendeu +1,26% (103,11% do CDI). No ano de 2025, acumulou +15,12% (105,63% do CDI). O carrego bruto no fim do mês estava em CDI +0,76% e a duration em 1,15 anos.
Leitura de gestão: dezembro foi um mês predominantemente de carrego, com spreads estáveis. Mantivemos uma carteira amplamente diversificada em ativos High Grade, combinando debêntures corporativas, posições no setor financeiro e FIDCs sêniores. A estratégia priorizou duration curta e caixa tático para capturar oportunidades pontuais de descolamento de preços.
Destaques do mês: contribuições positivas de Vamos, Rede D’Or, Energisa e Algar.
Mandato e Liquidez: Mandato High Grade, que busca superar o CDI com resgate D+1.
Butiá Plus FIF Renda Fixa
Performance: em dezembro, o fundo rendeu +1,32% (108,15% do CDI). No ano de 2025, acumulou +15,18% (106,03% do CDI). O carrego bruto no fim do mês estava em CDI + 2,03% e a duration em 1,31 anos.
Leitura de gestão: dezembro foi um mês de carrego, com spreads estáveis. O portfólio manteve seu núcleo em ativos High Grade, complementado por posições selecionadas em debêntures High Yield e FIDCs sêniores e mezanino, aproveitando a maior liberdade de gestão para buscar retornos adicionais. A estratégia priorizou diversificação por emissores e setores, duration controlada e caixa tático para capturar oportunidades de descolamento de preços.
Destaques do mês: contribuições positivas de Dasa, Vix, CSN e Vamos.
Mandato e Liquidez: portfólio ancorado em CDI+ High Grade, complementado por créditos High Yield selecionados, com tolerância marginal de risco, meta de superar o CDI, resgate D+46.
Butiá Debêntures Fundo Incentivado Infraestrutura RF
Performance: em dezembro, o fundo rendeu +0,18% ante +0,95 do IMAB-5. No ano de 2025, entregou +12,58%, ante IMA-B5 +11,65%, líquido de IR. O yield da carteira encerrou o mês em 8,90% e a duration ao final do mês foi de 3,82 anos.
Leitura de gestão: dezembro registrou leve abertura nos spreads do mercado IPCA+, mas mantivemos duration intermediária e forte seletividade em projetos com fluxos previsíveis, reforçando a disciplina na alocação. Entre os referenciais, os títulos públicos IPCA+ avançaram, com IMA-B5 em +0,95%, IMA-B em +0,31% e IMA-B5+ em -0,19%, enquanto o IDA-IPCA Infraestrutura subiu +0,13%. Nesse contexto, o fundo acompanhou o movimento do mercado, mas ficou abaixo do IMA-B5, impactado pela duration mais elevada e pela leve abertura de spreads.
Destaques do mês: contribuições positivas de Aliança Geração de Energia, Barreiras Holding, Pampa Sul e Comerc.
Mandato e Liquidez: fundo incentivado para PF conforme Lei 12.431, com referência ao IMA-B5 e resgate D+31
O Fundo de debêntures incentivadas, tem a prerrogativa de manter 85% da sua carteira em debêntures destinadas ao financiamento de infraestrutura pela lei 12.431, concedendo assim a isenção de IRRF ao seu cotista. Nosso mandato então, se adequa a filosofia de investimentos em projetos que devem fomentar o crescimento econômico e por isso, referenciamos o nosso fundo ao IMA-B 5, benchmark que em nosso entendimento tem maior alinhamento de interesses com os cotistas e corrobora com a visão de longo prazo da estratégia.
Butiá Top Icatu Seg Previdência Resp Lim FIF RF CP
Performance: em dezembro, o fundo rendeu +1,21% (98,99% do CDI). No ano de 2025, acumulou +14,43% (100,84% do CDI). O carrego bruto no fim do mês estava em CDI +0,78% e a duration em 1,27 anos.
Leitura de gestão: A carteira manteve a lógica do BUTIÁ TOP, adaptada às regras do veículo previdenciário, com foco em liquidez e qualidade como principais direcionadores de risco.
Destaques do mês: contribuições positivas de Rede D’Or, Algar, Vix e Assaí.
Mandato e Liquidez: Mandato High Grade, que busca superar o CDI com resgate D+7.
MERCADO DE AÇÕES
Butiá Fundamental FIF CIC Ações, Butiá Fundamental Long Biased FIF CIC Ações e Butiá Multi-Cap Long Biased FIF CIC Ações
O fundo Butiá Fundamental FIF CIC Ações registrou queda de -0,27% no mês de dezembro, atingindo um retorno acumulando de 40,88% em 12 meses. O fundo Butiá Fundamental Long Biased FIF CIC Ações teve uma queda de -0,25% em dezembro, e nos últimos 12 meses, acumula um retorno positivo de 27,37%. Em comparação com o Ibovespa que apresentou uma alta mensal de 1,29% e acumula ao longo de 12 meses uma alta de 33,95%.
O Ibovespa registrou mais um mês de desempenho positivo, impulsionado pelo movimento global de diversificação de portfólios para fora dos Estados Unidos e pela expectativa de início do ciclo de cortes da Selic, previsto para o primeiro trimestre de 2026. Paralelamente, o ciclo eleitoral segue no centro das atenções dos investidores, após uma mudança relevante no cenário-base decorrente do anúncio da candidatura de Flávio Bolsonaro. Avaliada como menos competitiva do que a eventual candidatura de Tarcísio de Freitas, a nova configuração reduziu a probabilidade implícita de alternância de poder. Esse reposicionamento de expectativas se refletiu na abertura das curvas de juros, movimento desfavorável para o mercado acionário, especialmente para companhias com maior grau de alavancagem financeira.
No último mês, as ações da Aura Minerals e Mater Dei foram os destaques positivos da nossa carteira. A boa performance da Aura Minerals pode ser explicada pela continuidade do aumento do preço do ouro, com a commodity alcançando novas máximas ao longo do mês, e fechando dezembro em alta. No caso de
Mater Dei, os principais acontecimentos do mês foram o anúncio de dividendos e a recomendação de compra por parte do das equipes de research do BTG Pactual e do Safra, ambos ressaltando uma possível continuidade da melhoria operacional e financeira da companhia.
No campo negativo, o desempenho das ações da Simpar foi pressionado pela abertura da curva de juros, dado que tanto a holding quanto suas principais empresas controladas apresentam elevados níveis de alavancagem financeira. A Cury foi outra empresa com performance que ficou aquém do esperado, com os principais acontecimentos ao longo do mês sendo o anúncio de R$ 573 milhões em dividendos e a realização de um follow-on, em um movimento para reduzir a exposição ao novo imposto sobre dividendos. Apesar disso, operacionalmente a companhia segue com perspectivas positivas quanto ao total de lançamentos e vendas no ano de 2026.
Diante do movimento sazonal de saída de recursos observado em dezembro, ajustamos o posicionamento das carteiras, aumentando a exposição a empresas com receitas atreladas ao dólar e reduzindo a alocação em companhias mais sensíveis à volatilidade da taxa de juros. Com isso, reduzimos marginalmente a exposição ao setor de construção civil, que, apesar do ajuste tático, segue como um segmento importante nos fundos.
A performance do Butiá Multi-Cap Long Biased FIF CIC Ações em dezembro foi de -2,65% contra valorização de 1,29% do índice Bovespa. Nos últimos 12 meses os retornos são de 50.05% e 33.95% respectivamente. O anúncio de que Jair Bolsonaro indicou Flávio Bolsonaro como provável candidato do grupo para as eleições de 2026 elevou a volatilidade e contribuiu para um movimento relevante de aversão a risco no mercado doméstico, refletido em forte queda do Ibovespa no dia e abertura da curva de juros.
Até então, parte do mercado vinha precificando um cenário de oposição mais competitiva, associado à possível candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, capaz de consolidar partidos de centro-direita. A substituição dessa expectativa por um cenário percebido como mais fragmentado, somada à elevada rejeição atribuída a Flávio Bolsonaro, aumentou a percepção de probabilidade de continuidade do atual governo. Nesse contexto, câmbio e juros reagiram negativamente.
A correção foi mais intensa em ativos com maior sensibilidade ao ciclo doméstico e ao custo de capital. Papéis com maior exposição ao mercado interno e maior alavancagem registraram quedas expressivas. No portfólio, os destaques negativos concentraram-se em construção civil, segmento mais dependente de crédito, e em logística, onde a alavancagem é mais elevada. Como resultado, o fundo apresentou desempenho inferior ao Ibovespa no período.
Do ponto de vista de cenário, a reeleição de Lula é frequentemente interpretada pelo mercado como associada a menor previsibilidade fiscal, menor probabilidade de reformas e manutenção de juros reais elevados por mais tempo — o que tende a penalizar ativos domésticos com perspectiva de crescimento.
Vale destacar que o aumento recente da exposição a exportadoras e commodities, com destaque para Suzano, e a reforço em nomes do setor industrial exportador, teve papel importante na mitigação das perdas e contribuiu para reduzir a volatilidade do portfólio, em linha com nossa estratégia de proteção para o ciclo eleitoral de 2026.
Seguimos com alocação próxima a 100%, entendendo que ainda é prematuro antecipar de forma conclusiva o desfecho eleitoral. O cenário tende a ganhar maior clareza a partir de março e abril, com a consolidação de alianças, a desincompatibilização de cargos e a definição mais objetiva de candidaturas.
No campo macro, esperamos que o Banco Central inicie o ciclo de corte de juros a partir de março, condicionado à continuidade da melhora dos indicadores de inflação e à desaceleração da atividade.
No mês de outubro, o Butiá Excellence FIF CIC Multimercado apresentou alta de 0,72% e o Butiá Excellence Previdência FIF CIC Multimercado registrou alta de 0,72%, acumulando um retorno positivo de 14,01% e 13,25% respectivamente nos últimos 12 meses, contra 1,22% do CDI no mês e 14,32% em 12 meses.
O mercado americano encerrou dezembro com variação próxima de zero, após um ano de forte valorização. O foco permanece no mercado de trabalho, que segue apresentando sinais de enfraquecimento na margem. Assim, mesmo com uma economia ainda resiliente, sustentada sobretudo pelos investimentos e pela atividade ligada à inteligência artificial, e com a inflação rodando acima da meta, o Federal Reserve tende a manter o ciclo de cortes de juros em 2026, porém em um ritmo bem mais gradual. As expectativas hoje convergem para apenas dois cortes ao longo do ano, assumindo que não haja deterioração mais acentuada do mercado de trabalho ou um choque negativo relevante de atividade.
Esse cenário base, no entanto, pode ser alterado por fatores institucionais e políticos. A tentativa do governo Trump de influenciar a composição e a orientação do Fed segue no radar, tanto pela indicação do próximo chairman quanto pela possível substituição da diretora Lisa Cook, cuja permanência será analisada pela Suprema Corte. Uma eventual saída abriria espaço para uma maioria de indicados alinhados a Trump no comitê, criando um precedente negativo para a institucionalidade do banco central. A consequência provável seria uma política monetária mais acomodatícia no curto prazo, com Fed Funds mais baixos, mas acompanhada de uma maior inclinação da curva, refletida em taxas longas mais elevadas e prêmio de risco institucional mais alto.
A relativa calmaria nos mercados americanos contrasta com o ambiente geopolítico. As tensões entre Rússia e Ucrânia seguem sem avanço concreto, enquanto a
operação no início deste ano contra o regime de Maduro, na Venezuela, reforça a percepção de enfraquecimento da ordem internacional vigente. Esse aumento da incerteza global tem sustentado a valorização de ativos de proteção e diversificação, como metais preciosos e criptoativos, além de ações ligadas ao setor de defesa e à produção e exploração de petróleo nos Estados Unidos. Apesar disso, esse ambiente mais instável ainda não se refletiu de forma relevante nos mercados acionários globais, que permanecem em níveis elevados.
No Brasil, o mercado acionário registrou mais um mês de alta e encerrou o ano com valorização próxima de 34%, a maior desde 2016. Além de continuar se beneficiando do movimento global de diversificação para fora dos Estados Unidos, a bolsa brasileira segue apoiada pela proximidade do início do ciclo de cortes da Selic. Dados de atividade mais fracos na margem e expectativas de inflação em queda reforçam essa tese, ainda que um mercado de trabalho apertado continue pressionando a inflação de serviços e impondo cautela ao Banco Central.
O câmbio teve papel central no processo desinflacionário ao longo do ano e tende a continuar contribuindo. Apesar da alta de 2,6% do dólar em dezembro, a moeda americana acumulou desvalorização de aproximadamente 11,4% frente ao real em 2025. O fim de ano costuma ser marcado por saída sazonal de recursos devido a remessas de dividendos ao exterior, e havia o receio de que esse movimento fosse intensificado pela antecipação de dividendos em função da reforma tributária. Embora o real tenha se descolado parcialmente de outras moedas emergentes no período, o movimento foi limitado, e a moeda segue ancorada em um diferencial de juros bastante elevado, especialmente quando ajustado pela volatilidade.
Com um cenário externo ainda favorecendo fluxos para o Brasil, ao menos enquanto o risco geopolítico não se agrava de forma significativa, e com o início do ciclo de cortes partindo de um patamar historicamente elevado de juros, a tendência de médio prazo para os ativos de risco locais permanece construtiva. O principal fator de interrupção dessa trajetória seria o ambiente eleitoral. A continuidade do ciclo positivo brasileiro depende da confiança do mercado na sustentabilidade da dívida pública, que, por sua vez, está diretamente ligada à percepção de alternância de poder. O cenário recente passou a favorecer a continuidade do governo atual, e caso essa leitura se consolide, a reação do mercado tende a ser negativa.
Nesse contexto, o anúncio da candidatura de Flávio Bolsonaro, percebida como menos competitiva do que a de Tarcísio de Freitas, reduziu a probabilidade implícita de alternância de poder. Esse movimento se refletiu na abertura das taxas de juros, penalizando nossas posições aplicadas em juros prefixados e levando os fundos multimercado a apresentarem desempenho abaixo do CDI no mês.
O destaque positivo ficou para as posições compradas em bolsa emergente e em ouro. Mantemos a posição em bolsa americana como uma das principais apostas de risco dos portfólios multimercado, dada a resiliência dos lucros e a liderança estrutural das empresas de tecnologia. Aproveitamos a abertura das taxas para aumentar a exposição aplicada em juros prefixados, mantendo convicção na trajetória de queda, mas com cautela adicional diante da volatilidade eleitoral. Seguimos com uma posição pequena comprada em bolsa local, reduzida pela compressão do prêmio de risco, apesar de enxergarmos vetores positivos relevantes. Após iniciarmos dezembro com aumento da posição comprada em dólar contra o real, visando capturar o estresse potencial de fluxo no fim do ano, reduzimos essa exposição ao final do mês. Por fim, preservamos a posição aplicada em juros reais, que
segue oferecendo uma das melhores assimetrias do mercado, combinando prêmio elevado, inflação implícita baixa e proteção em cenários de deterioração fiscal.
