Nesta edição
| CDI · no mês (14,71% em 12 meses) | Ibovespa · no mês (33,76% em 12 meses) | IMA-B 5 · no mês (13,18% em 12 meses) |
| 1,22% | 3,47% |
1,24% |
A equipe de gestão da Butiá Investimentos produziu a carta mensal com o objetivo de oferecer uma visão transparente e fundamentada sobre o cenário macroeconômico, os principais movimentos das carteiras e o desempenho dos fundos sob gestão. Através dela, buscamos manter nossos investidores informados sobre as decisões de alocação, os riscos observados no mercado e a estratégia adotada, sempre com uma abordagem disciplinada e focada na qualidade dos ativos.
CENÁRIO MACRO
O mês de julho apresentou uma dinâmica diferente dos últimos meses. Com a volta do noticiário de guerra e com o lançamento de novos modelos chineses de inteligência artificial com arquitetura aberta, o mercado rotacionou de tecnologia para ativos relacionados a commodities e indústria. Isso se refletiu na boa performance do Dow Jones e do EWZ, mais ligados a value, quando comparados com a Nasdaq e a Kospi, índices dominados por tecnologia.
Nos Estados Unidos, dados do mercado de trabalho, da atividade e da inflação vieram mais acomodados, contribuindo para a decisão de manutenção por parte do Fed. Kevin Warsh tentou manter uma postura vigilante, buscando passar ao mercado a visão de que as próximas decisões dependem dos dados econômicos. No entanto, como os números de inflação seguem ruins, o mercado não comprou a postura e continua incorporando risco na ponta longa. A credibilidade institucional do Fed está sendo questionada, e isso se reflete no custo mais elevado de emissão de dívida americana.
Quando analisamos os dados de contaminação e propagação do choque de preços identificamos que até o momento o choque permanece tendo características de choque transitório e que a inflação não possui uma característica de persistência, ao contrário do que aconteceu em 2022.
NA CHINA
Na China, a dicotomia entre demanda interna e investimentos domésticos de um lado e a indústria exportadora de outro continua se aprofundando. Os dados de PIB do segundo trimestre apresentaram crescimento abaixo das expectativas, vindo em 4,3%, o mais baixo desde o primeiro trimestre de 2023. Além disso, a China se tornou um player geoeconômico relevante ao longo da guerra, reduzindo suas importações de petróleo para conter a alta dos preços e continuar a exportar bens baratos para o resto do mundo. Esse movimento resultou em um crescimento de 27% nas exportações e de 36% nas importações na comparação anual, com o salto das importações concentrado em insumos tecnológicos e industriais.
NO BRASIL
No Brasil, dados recentes de atividade econômica demonstraram uma desaceleração relevante no segundo trimestre. A produção industrial teve variação mensal negativa, caindo 1,8% em junho, com boa parte da queda vinda de setores cíclicos, indicando que a indústria vem sofrendo com uma possível queda de demanda, provocada pela taxa de juros real restritiva mantida por um período prolongado.
A dinâmica inflacionária no curto prazo surpreendeu o mercado positivamente, com o IPCA e o IPCA-15 demonstrando números abaixo do consenso, com surpresas vindas de setores cíclicos. Apesar disso, o El Niño continua trazendo risco para os preços dos alimentos no segundo semestre. As eleições continuam ganhando tonalidade no noticiário à medida que o tempo passa, e isso deverá se tornar ainda mais relevante em agosto, quando temos a última janela de confirmação das chapas presidenciais e o início dos debates entre os candidatos.
MERCADO DE CREDITO PRIVADO
O mercado de crédito privado passou julho em compasso de espera. A curva de juros já embute mais um corte da Selic pelo Copom, mas os investidores preferiram não antecipar movimentos mais direcionais antes da confirmação, na reunião de agosto. Nesse intervalo, os vencimentos mais curtos da curva de NTN-B fecharam de forma relevante, com a NTN-B 2030 encerrando o mês perto de 8,30% ao ano, enquanto a parte mais longa permaneceu praticamente estável. O quadro mostra um mercado mais confortável com o ritmo da política monetária no curto prazo, ainda que cobrando prêmio pela incerteza fiscal e eleitoral que se acumula à frente de 2026.
Mercado primário
No mercado primário, o volume de emissões recuou frente a junho, mas o percentual efetivamente distribuído a mercado atingiu o melhor nível do ano. A qualidade da absorção melhorou, ainda que o volume tenha sido menor. Isso confirma um padrão que já vínhamos observando: o investidor segue disposto a comprar papel novo, mas concentra a demanda em emissores e estruturas que já conhece bem, deixando de lado operações mais complexas ou de nomes menos familiares. Um pipeline ainda relevante de novas ofertas indica que a oferta deve continuar aquecida nos próximos meses, mas o comportamento de julho é mais um sinal de seletividade do que de apetite generalizado por risco.
No secundário
No secundário, os volumes de negociação ficaram estáveis frente a junho, mas os spreads, na mediana, voltaram a abrir, tanto em papéis pós-fixados quanto nos indexados à inflação. Olhar apenas para essa média, porém, esconde mais do que revela: o movimento não foi uniforme entre emissores e ratings. Créditos de melhor qualidade seguiram andando de lado ou até fechando spread, enquanto a abertura ficou concentrada em um grupo específico de papéis pressionados por eventos de crédito pontuais, sobretudo em segmentos ligados a commodities agrícolas e biocombustíveis. Essa dispersão é, para nós, o dado mais importante do mês. O mercado está diferenciando risco de forma mais fina, o que é saudável, mas também exige mais trabalho de seleção. Não é mais possível comprar spread alto olhando apenas para rating ou setor; é preciso entender a história de cada emissor.
Rebaixamentos de rating
O mês também teve uma concentração de rebaixamentos de rating no setor de biocombustíveis, o que ajuda a explicar parte da abertura de spreads comentada acima, sem que isso configure, no nosso entendimento, um sinal de deterioração ampla do crédito corporativo brasileiro. Fora desse setor, o caso mais relevante foi o de CSN, emissor que vinha sendo acompanhado de perto por nossa equipe e no qual mantínhamos exposição baixa: em 31 de julho, a Fitch rebaixou o Rating Nacional de Longo Prazo da companhia de ‘BBB−(bra)’ para ‘CCC+(bra)’, configurando perda do grau de investimento em escala nacional e mantendo a Observação Negativa.
O movimento reflete alavancagem que a agência considera insustentável no patamar atual e riscos de refinanciamento crescentes, em um contexto no qual a companhia já buscava reequilibrar sua estrutura de capital via venda de ativos e reperfilamento de dívida no mercado externo. O rebaixamento acionou um critério de saída que já havíamos definido para esse tipo de cenário; as saídas realizadas e as posições residuais em processo de venda estão detalhadas nos comentários de gestão de cada fundo.
A indústria de fundos
O dado mais construtivo de julho veio da indústria de fundos. Os fundos de crédito privado voltaram a captar de forma consistente, em um dos melhores meses do ano, dando sequência ao processo de normalização que já vínhamos descrevendo nas últimas cartas. Os fundos de infraestrutura seguiram em resgate líquido, mas em ritmo bem mais brando que em junho. Lida em conjunto com a desaceleração do primário, essa melhora nos fluxos sugere que o suporte técnico para o crédito CDI+ está se reconstruindo pelo lado da demanda, movimento que historicamente antecede novos fechamentos de spread depois que as principais incertezas do calendário (Copom, fiscal, eleições) se dissipam. Ainda é cedo, porém, para declarar encerrado o ciclo de resgates em infraestrutura: os retornos do segmento seguem modestos, e um mês de captação melhor não substitui uma recuperação mais consistente de performance.
Nosso posicionamento
Nosso posicionamento segue a mesma lógica que temos comunicado nos últimos meses. Mantemos o núcleo das carteiras em crédito High Grade indexado a CDI+, com duration curta a intermediária, e seguimos seletivos nas posições em High Yield e em estruturas como FIDCs, priorizando qualidade de garantia e proteção contratual acima do spread nominal oferecido. Em crédito incentivado e de infraestrutura, a preferência continua por companhias com receita contratada e estrutura de capital compatível com o rating, o tipo de crédito que tende a atravessar melhor um ambiente em que a diferenciação entre emissores, como vimos em julho, pode acontecer de forma rápida. Com o Copom decidindo já nesta semana e o calendário eleitoral de 2026 começando a pesar sobre a curva longa, entendemos que a melhora do primário e dos fluxos da indústria é um sinal encorajador, mas ainda não suficiente para justificar uma ampliação do orçamento de risco das carteiras. A disciplina na escolha de emissores, mais do que a busca pelo spread mais alto, segue sendo o que separa carteiras que compõem retorno de forma consistente daquelas expostas ao próximo evento pontual.
SPREAD CDI+ AAA

| Variação de julho | Mínimo do período | Máximo do período | Variação em 12 meses |
| −4 bps | 0,85% | 1,16% |
−10 bps |
Fonte: Bloomberg e ANBIMA.
SPREAD IPCA+ AAA

| Variação de julho | Mínimo do período | Máximo do período | Variação em 12 meses |
| −3 bps | −0,52% | 0,33% |
−11 bps |
Fonte: Bloomberg e ANBIMA.
Butiá Top FIF CIC Renda Fixa
| No mês (103,56% do CDI) | 12 meses (99,43% do CDI) | Carrego bruto (duration de 1,23 anos) |
|
1,26% |
14,63% |
CDI+0,81% |
Leitura de gestão
Mantivemos uma carteira amplamente diversificada, com predominância de ativos High Grade, incluindo debêntures corporativas, instrumentos do setor financeiro e FIDCs sêniores. A estratégia seguiu pautada por postura defensiva, com ênfase em duration reduzida e gestão ativa de liquidez.
Destaques do mês
Simpar, Aegea e Vamos contribuíram positivamente, enquanto Vero, CSN e Armac impactaram negativamente o resultado do fundo. Em CSN, cuja exposição já era baixa e vinha sendo monitorada de perto, o rebaixamento para abaixo do grau de investimento acionou nosso critério de saída: zeramos a posição no início de agosto, em janelas de liquidez do secundário.
Mandato e liquidez
Mandato High Grade, que busca superar o CDI com resgate D+1.
| Histórico | No mês | No ano | 12 meses | 2025 | 2024 | 2023 |
Desde o início |
| Fundo | 1,26% | 8,12% | 14,63% | 15,12% | 11,70% | 14,05% |
183,04% |
| % do CDI | 103,56% | 99,66% | 99,43% | 105,63% | 107,64% | 107,68% |
109,52% |
Butiá Top Icatu Seg Previdência Resp Lim FIF RF CP
|
No mês (101,02% do CDI) |
12 meses (95,62% do CDI) | Carrego bruto (duration de 1,59 anos) |
| 1,23% | 14,07% |
CDI+0,80% |
Leitura de gestão
A carteira manteve a lógica do Butiá Top, adaptada às regras do veículo previdenciário, com foco em liquidez e qualidade como principais direcionadores de risco, em um mês de maior volatilidade no crédito privado.
Destaques do mês
Vamos, Aegea e Iochpe-Maxion contribuíram positivamente, enquanto Vero, CSN e Armac impactaram negativamente o resultado do fundo. A exposição residual a CSN segue em processo de venda no secundário após o rebaixamento do emissor, em ritmo que preserva o valor da carteira.
Mandato e liquidez
Mandato High Grade, que busca superar o CDI com resgate D+7.
|
Histórico |
No mês | No ano | 12 meses | 2025 | 2024 | 2023 | Desde o início |
|
Fundo |
1,23% | 7,83% | 14,07% | 14,44% | 11,47% | 13,38% |
88,65% |
| % do CDI | 101,02% | 96,08% | 95,62% | 100,86% | 105,45% | 102,58% |
98,91% |
Butiá Plus FIF Renda Fixa
| No mês (109,68% do CDI) | 12 meses (105,21% do CDI) |
Carrego bruto (duration de 1,41 anos) |
| 1,33% | 15,48% |
CDI+2,16% |
Leitura de gestão
O portfólio manteve seu núcleo em ativos High Grade, complementado por posições selecionadas em debêntures High Yield e FIDCs sêniores e mezanino, aproveitando a maior liberdade de gestão para buscar retornos adicionais. A estratégia priorizou diversificação por emissores e setores, duration controlada e caixa tático para capturar oportunidades de descolamento de preços em um mês de maior seletividade no crédito.
Destaques do mês
Simpar, Aegea e Vamos contribuíram positivamente, enquanto Vero, CSN e Armac impactaram negativamente o resultado do fundo. Seguimos com a venda da posição residual em CSN, iniciada após o rebaixamento do emissor para abaixo do grau de investimento, em janelas de liquidez do secundário que preservam o valor da carteira.
Mandato e liquidez
Portfólio ancorado em CDI+ High Grade, complementado por créditos High Yield selecionados, com tolerância marginal de risco, meta de superar o CDI, resgate D+46.
| Histórico | No mês | No ano | 12 meses | 2025 | 2024 | 2023 |
Desde o início |
| Fundo | 1,33% | 8,63% | 15,48% | 15,18% | 12,35% | 14,28% |
94,10% |
| % do CDI | 109,68% | 106,02% | 105,21% | 106,03% | 113,59% | 109,48% |
116,34% |
Butiá Debêntures Fundo Incentivado Infraestrutura RF
|
No mês (IMA-B 5: 1,24%) |
12 meses (IMA-B 5: 13,18%) | Yield da carteira (duration de 3,53 anos) |
| 1,00% | 7,97% |
9,42% |
Leitura de gestão
Em julho, o fechamento dos vértices mais curtos da curva de NTN-B sustentou o retorno dos ativos indexados à inflação, enquanto a abertura de spreads ficou concentrada em nomes e setores específicos do crédito incentivado, em linha com a dispersão que descrevemos na carta. O IDA IPCA-Infra registrou +1,02%, enquanto índices ligados às NTN-B foram: IMA-B 0,97%, IMA-B5 1,24% e IMA-B5+ 0,75%.
Destaques do mês
Algar, Aliança Geração e Águas de Teresina contribuíram positivamente, enquanto Vero, Giga+ e Eneva impactaram negativamente o resultado do fundo. Na carteira, a exposição às debêntures incentivadas de CSN Mineração foi zerada no início de agosto, seguindo a mesma estratégia adotada nas demais carteiras.
Mandato e liquidez
Fundo incentivado para PF conforme Lei 12.431, com referência ao IMA-B5 e resgate D+31.
Notas
O fundo de debêntures incentivadas tem a prerrogativa de manter 85% da sua carteira em debêntures destinadas ao financiamento de infraestrutura pela Lei 12.431, concedendo assim a isenção de IRRF ao seu cotista. Nosso mandato, então, se adequa à filosofia de investimentos em projetos que devem fomentar o crescimento econômico e, por isso, referenciamos o nosso fundo ao IMA-B5, benchmark que em nosso entendimento tem maior alinhamento de interesses com os cotistas e corrobora com a visão de longo prazo da estratégia.
(1) Títulos com remuneração baseada em índices de preço, como IPCA, podem ter o valor financeiro alterado retroativamente, devido à substituição da variação projetada do índice pela variação oficial.
|
Histórico |
No mês | No ano | 12 meses | 2025 | 2024 | 2023 |
Desde o início |
|
Fundo |
1,00% | 3,50% | 7,97% | 12,58% | 4,45% | 11,05% |
161,31% |
| IMA-B 5 | 1,24% | 7,80% | 13,18% | 11,65% | 6,16% | 12,13% |
191,98% |
MERCADO DE AÇÕES
|
Fundamental · mês (26,02% em 12 meses) |
Long Biased · mês (14,41% em 12 meses) |
Ibovespa · mês (33,76% em 12 meses) |
| −0,90% | −0,95% |
3,47% |
Em julho o Butiá Fundamental FIF CIC Ações registrou uma queda de 0,90%, acumulando um retorno de 26,02% em 12 meses. O Butiá Fundamental Long Biased FIF CIC Ações teve uma queda de 0,95% no mês, e nos últimos 12 meses, acumula um retorno positivo de 14,41%. Em comparação, o Ibovespa teve uma alta mensal de 3,47% e acumula uma rentabilidade de 33,76% em 12 meses.
No mês de julho houve uma continuidade dos principais tópicos de discussão, com a manutenção da guerra no Oriente Médio, o que afeta o fluxo no Estreito de Ormuz, que como consequência causa uma alta do preço do petróleo. Esse patamar mais elevado da commodity eleva a preocupação com a inflação global. Mesmo com esse risco, o FED optou por manter os juros inalterados, o que gerou certo desconforto nos mercados pelo temor de que a autoridade monetária esteja ficando atrás da curva.
Já no Brasil, o ambiente econômico apresentou dados de inflação mais benignos e sinais de desaceleração da atividade. O alto endividamento das famílias e uma geração de vagas formais menos intensa começam a frear o consumo, contrabalançando os estímulos fiscais e creditícios. Esse cenário levou o mercado a precificar a continuidade do ciclo de cortes da Selic, ainda que em passos graduais, apesar do choque recente do petróleo. Na renda fixa local, as taxas longas aparentam estar mais sensíveis ao noticiário eleitoral.
Butiá Fundamental FIF CIC Ações
| Histórico | No mês | No ano | 12 meses | 2025 | 2024 | 2023 |
Desde o início |
|
Fundo |
−0,90% | 3,88% | 26,02% | 40,88% | −16,48% | 19,32% |
224,65% |
| vs. Ibovespa (p.p.) | -4,37 | -6,59 | -7,74 | +6,92 | -6,12 | -2,96 |
-63,42 |
Butiá Fundamental Long Biased FIF CIC Ações
|
Histórico |
No mês | No ano | 12 meses | 2025 | 2024 | 2023 | Desde o início |
| Fundo | −0,95% | 0,19% | 14,41% | 27,67% | −7,71% | 17,94% |
35,32% |
| vs. Ibovespa (p.p.) | -4,43 | -10,29 | -19,35 | -6,28 | +2,65 | -4,34 |
-50,13 |
As empresas com melhor performance
As empresas com melhor performance no mês foram PRIO e Petrobras, ambas beneficiadas pelo aumento do preço de petróleo ao longo de julho. Com a commodity cotada a patamares mais elevados, a geração de caixa de ambas as companhias tornou-se mais robusta, ampliando o retorno aos acionistas, especialmente no curto prazo. No caso da Petrobras, o avanço foi reforçado pelo anúncio de uma produção recorde no trimestre, sustentada por ganhos operacionais e melhorias em duas de suas plantas.
Na ponta negativa
Na ponta negativa, 3Tentos e Moura Dubeux apresentaram os piores desempenhos da carteira no mês. As ações da 3Tentos sofreram uma queda expressiva após reuniões com o sell-side, nas quais a companhia reportou os desafios enfrentados pelo setor agro e projetou um trimestre mais fraco. Já no caso da Moura Dubeux, embora a empresa tenha apresentado dados operacionais sólidos, os números vieram abaixo das expectativas do mercado. Essa frustração, somada à incerteza do cenário macroeconômico, gerou forte pressão vendedora e estresse na cotação do papel ao longo do mês.
Nível de caixa
Em geral, a conjuntura de um mercado tecnicamente mais leve, combinada com a atratividade dos preços de empresas de maior qualidade em nossa carteira, permitiu-nos manter um nível de caixa reduzido. A principal alteração foi feita via realocação de posições, com a diminuição da exposição a nomes que enfrentam desafios maiores no curto prazo e aumento da alocação naqueles com melhores fundamentos e momento operacional.
MULTIMERCADO
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Excellence · mês (11,37% em 12 meses) |
Excellence Prev · mês (11,35% em 12 meses) |
CDI · mês (14,71% em 12 meses) |
| 0,65% | 0,83% |
1,22% |
Em julho, o Butiá Excellence FIF CIC Multimercado apresentou alta de 0,65% e o Butiá Excellence Previdência FIF CIC Multimercado registrou alta de 0,83%, acumulando um retorno positivo de 11,37% e 11,35% respectivamente nos últimos 12 meses, contra alta de 1,22% do CDI no mês e 14,71% em 12 meses.
Os principais temas de mercado se mantiveram praticamente os mesmos em julho: a guerra no Oriente Médio e seus efeitos sobre o fluxo pelo Estreito de Ormuz e sobre o petróleo; o estado da economia americana, especialmente no que diz respeito à inflação e aos juros; a discussão sobre retornos esperados, valuation e rentabilidade dos investimentos ligados à inteligência artificial; e, no Brasil, a combinação entre cenário eleitoral, fiscal, inflacionário e a trajetória esperada da Selic.
O petróleo voltou a subir de forma relevante ao longo do mês, com a retomada das tensões entre Estados Unidos e Irã e a nova queda no fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz. A piora do risco de oferta foi agravada por restrições no mercado de derivados, o que aumentou a preocupação com uma nova rodada de pressão inflacionária via energia. Mais recentemente, a suspensão temporária dos ataques americanos ao Irã e a sinalização de possíveis conversas ajudaram o petróleo a devolver parte da alta, mas sem eliminar completamente o prêmio de risco geopolítico embutido nos preços.
Butiá Excellence FIF CIC Multimercado
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Histórico |
No mês | No ano | 12 meses | 2025 | 2024 | 2023 | Desde o início |
|
Fundo |
0,65% | 5,41% | 11,37% | 14,01% | 5,48% | 11,41% |
115,49% |
| % do CDI | 53,85% | 66,46% | 77,24% | 97,87% | 50,38% | 87,45% |
70,69% |
Nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, a decisão do Fed de manter os Fed Funds inalterados adicionou pressão à parte longa da curva. A leitura do mercado não foi simplesmente de que a autoridade monetária foi leniente com a inflação, mas de que há risco de o Fed estar ficando atrás da curva: os dados correntes de inflação vieram melhores que o esperado, mas a atividade segue resiliente, os riscos de energia continuam presentes e a inflação permanece acima da meta. Essa combinação gerou uma abertura relevante nas taxas longas, com destaque para a Treasury de 30 anos, que atingiu o maior patamar em quase duas décadas.
O mercado acionário americano, por sua vez, seguiu resiliente no agregado, mas com dispersão relevante entre setores e empresas. A discussão sobre inteligência artificial ficou mais seletiva. As ações da cadeia de semicondutores e infraestrutura mais diretamente ligadas ao capex de IA sofreram após meses de forte alta, mesmo com resultados correntes ainda robustos. A preocupação do mercado está menos na demanda atual e mais na sustentabilidade dos retornos sobre o capital investido, na manutenção das margens e na velocidade de crescimento daqui para frente. Por outro lado, empresas que mostraram capacidade mais clara de monetizar nuvem, infraestrutura digital e IA, como Amazon e Microsoft, ajudaram a sustentar os índices. Também houve melhor desempenho relativo de ações mais ligadas à economia real, em um mês no qual o S&P 500 ficou praticamente estável e o Nasdaq caiu, refletindo justamente a pressão sobre os nomes mais associados ao tema de semicondutores.
No Brasil
No Brasil, os dados de inflação também vieram mais benignos, enquanto a atividade mostrou sinais de desaceleração na margem. O mercado de trabalho ainda aparece forte na taxa de desemprego, mas a geração de vagas formais vem menos intensa, e o alto endividamento das famílias continua sendo um freio relevante para o consumo. Mesmo com impulsos fiscais e creditícios vindos do governo, há sinais de que parte da economia começa a sentir os efeitos defasados dos juros ainda muito elevados. Com isso, apesar da alta do petróleo, o mercado passou a precificar maior probabilidade de continuidade do ciclo de cortes da Selic, ainda que em passos pequenos.
Butiá Excellence Previdência FIF CIC Multimercado
As taxas longas brasileiras abriram em parte do mês, acompanhando a pressão nas Treasuries e refletindo o prêmio fiscal e eleitoral doméstico. Nos últimos dias, porém, houve algum fechamento da curva, ajudado por dados de inflação mais fracos, atividade mais morna e pesquisas eleitorais que voltaram a mostrar uma disputa mais competitiva em alguns levantamentos. O mercado tende a reagir positivamente a qualquer aumento percebido na probabilidade de alternância de poder, por associar esse cenário a uma possível política fiscal mais disciplinada e a uma trajetória mais sustentável da dívida pública. Ainda assim, o quadro eleitoral segue bastante incerto, com pesquisas divergentes e ruído relevante na formação de alianças.
Em nosso portfólio
Em nosso portfólio, as maiores contribuições positivas do mês vieram das posições aplicadas em juros nominais e reais. Zeramos essas posições após o fechamento recente das taxas, preferindo voltar a aplicá-las apenas em momentos de maior estresse, especialmente diante da abertura das taxas longas americanas e do risco de contaminação sobre a curva brasileira. Também tivemos ganhos na posição comprada em ações brasileiras, enquanto as posições compradas em dólar contra o real contribuíram negativamente.
Na margem, reduzimos parte da posição em ações brasileiras após a alta do mês e mudamos a posição cambial, passando a estar aplicados em real contra o dólar. A decisão reflete a combinação de uma balança comercial ainda forte, beneficiada por preços e volumes de petróleo, entradas relevantes de investimento direto no país e um diferencial de juros ainda elevado, que mantém o carrego da moeda brasileira atrativo. Seguimos, porém, com risco total controlado, dado que o cenário externo continua sensível à trajetória das taxas americanas e o cenário local permanece dependente da evolução eleitoral, fiscal e inflacionária.
|
Histórico |
No mês | No ano | 12 meses | 2025 | 2024 | 2023 | Desde o início |
| Fundo | 0,83% | 5,55% | 11,35% | 13,25% | 4,76% | 11,22% |
72,07% |
| % do CDI | 68,29% | 68,13% | 77,12% | 92,58% | 43,74% | 86,00% |
65,78% |

