CENÁRIO MACRO
Junho foi um mês de questionar o consenso. Investidores voltaram a colocar em dúvida se os grandes investimentos das big techs em inteligência artificial terão retornos que justifiquem os múltiplos, trazendo volatilidade ao setor e uma correção nos índices liderada por semicondutores, software e memória. As commodities continuaram corrigindo, à medida que o acordo interino entre EUA e Irã começou a destravar o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, levando-o para abaixo de US$ 75.
Nos EUA, os dados de atividade seguem com sinais positivos. O payroll de maio surpreendeu com 172 mil vagas contra 85 mil esperadas, enquanto o de junho veio abaixo do consenso, mantendo o desemprego estabilizado em 4,2%. As vendas no varejo de maio vieram acima do esperado, os PMIs de junho surpreenderam positivamente e a revisão do PIB do primeiro trimestre para 2,1% reforça o quadro de uma economia resiliente.
Na inflação, o CPI de maio trouxe alívio no núcleo, vindo abaixo do consenso, e a queda do petróleo ajudou a comprimir as expectativas de inflação, mas o PPI veio acima do esperado, mostrando que a pressão de custos segue presente. Com esse pano de fundo, o Fed sob a nova direção de Kevin Warsh vem adotando um tom mais duro, sinalizando a possibilidade de novas altas de juros nesse ano. Isso contribuiu para uma reprecificação relevante na curva de juros americana, fortalecendo o dólar contra as principais moedas.
Na China, os dados de maio deram continuidade à dicotomia econômica. A produção industrial cresceu 4,5% ao ano, sustentada por exportações e tecnologia, porém as vendas no varejo caíram 0,6% e os investimentos em ativos fixos recuaram 4,1%, reforçando a leitura de que a política de anti-involution e a fraqueza da demanda doméstica estão cada vez mais presentes.
No Brasil, os indicadores de atividade vieram mais fracos que o esperado, com vendas no varejo e mercado de trabalho formal decepcionando o consenso. Na inflação, os dados correntes seguem rodando próximos de 5% em 12 meses, em patamar desconfortável. O Copom cortou a Selic para 14,25%, mas a ata trouxe dúvidas ao mercado com a extensão do horizonte relevante, interpretada como uma forma de relativizar as expectativas desancoradas. Ainda assim, o ciclo de cortes deverá ser curto, dado que o desemprego segue muito abaixo da média histórica, o choque do petróleo continua dissipando na cadeia e os riscos de inflação de alimentos permanecem elevados com a perspectiva de um El Niño forte.
MERCADO DE CREDITO PRIVADO
Em junho, o Copom reduziu a taxa Selic de 14,50% para 14,25% ao ano, promovendo o terceiro corte consecutivo do ciclo de flexibilização iniciado em março. Embora a decisão tenha vindo em linha com as expectativas do mercado, o Banco Central manteve um discurso cauteloso em relação aos próximos passos da política monetária. Essa postura se refletiu na curva de juros. Apesar da redução da Selic, os juros reais de prazos mais longos apresentaram abertura ao longo do mês. A NTN-B 2030, por exemplo, encerrou junho com taxa próxima de 8,52%, acima dos 8,00% registrados ao final de maio. Para o mercado de crédito privado, esse movimento reforça a diferenciação entre os segmentos. Os ativos pós-fixados continuam beneficiados pelo elevado nível de carrego e pela menor volatilidade. Em contrapartida, os títulos indexados à inflação, especialmente os de vencimentos mais longos, seguem mais sensíveis às oscilações da curva de juros reais.
No mercado primário, o volume de emissões voltou a crescer. Junho registrou R$ 53,4 bilhões, contra R$ 32 bilhões em maio. A distribuição para o mercado foi de 46%, e o pipeline avançou para R$ 69,7 bilhões. Parte desse aumento é sazonal, já que junho costuma concentrar operações represadas ao longo do segundo trimestre. Ainda assim, o dado mais relevante está na qualidade da demanda. O investidor voltou a olhar novas emissões, mas de forma bastante seletiva. Houve maior apetite por prazos curtos e médios, emissores conhecidos e ativos com melhor liquidez. Já papéis mais longos ou de emissores com maior percepção de risco encontraram mais dificuldade.
No secundário, o volume negociado caiu para R$ 99,2 bilhões, o menor patamar dos últimos quatro meses. Essa queda faz sentido em um mês de retomada do primário, já que parte do foco dos investidores migra para as novas ofertas. Nos papéis CDI+, a mediana de spreads passou de 93 bps para 91 bps. Vemos esse movimento como uma acomodação natural depois do forte fechamento observado em maio –12bps e da necessidade de absorver uma oferta maior no mercado primário.
O segmento incentivado teve uma melhora técnica nos spreads, mas ainda sem recuperação relevante nos retornos. A mediana dos papéis IPCA+ fechou 14 bps, passando de 29 bps para 15 bps. Os papéis de infraestrutura mais defensivos, como transmissão, distribuição de energia e saneamento em emissores consolidados, foram os mais beneficiados. Ainda assim, o segmento segue exigindo paciência. A abertura dos juros reais continua limitando o desempenho dos ativos de maior prazo.
Na indústria de fundos, junho trouxe um sinal positivo. Os fundos de crédito privado voltaram a captar, com entrada líquida de R$ 5,5 bilhões após três meses de resgates. No ano, considerando a mesma amostra, o saldo passou a ser positivo em R$ 4,5 bilhões. Os fundos de infraestrutura ainda registraram saída líquida, de R$ 8,9 bilhões, mas em ritmo menor que no mês anterior. É um sinal inicial de melhora, embora ainda seja cedo para afirmar que o fluxo se normalizou de forma definitiva.
Nossa leitura é que o mercado está melhor do que esteve em abril e maio, mas ainda não permite descuido. O crédito CDI+ segue oferecendo uma combinação interessante de carrego, liquidez e menor volatilidade. Já o crédito incentivado começa a apresentar oportunidades melhores, mas exige mais seletividade, horizonte de investimento adequado e atenção ao risco de marcação.
Seguimos construtivos, mas disciplinados. Em um ambiente no qual os spreads já fecharam em parte do mercado e os eventos de crédito seguem aparecendo, a escolha dos emissores continua sendo o ponto central. Nossa preferência permanece em companhias com fundamentos sólidos, boa geração de caixa, liquidez adequada e estruturas robustas. Em infraestrutura, seguimos priorizando ativos de maior qualidade, contratos de longo prazo e receitas mais previsíveis.

Fonte: Bloomberg e ANBIMA.

Fonte: Bloomberg e ANBIMA.
Butiá Top FIF CIC Renda Fixa
Performance: em junho, o fundo rendeu 1,16% (103,97% do CDI). Nos últimos 12 meses, acumulou 14,70% (99,45% do CDI). O carrego bruto no fim do mês estava em CDI + 0.74% e a duration em 1,30 anos.
Leitura de gestão: Mantivemos uma carteira amplamente diversificada, com predominância de ativos High Grade, incluindo debêntures corporativas, instrumentos do setor financeiro e FIDCs sênior. A estratégia seguiu pautada por postura defensiva, com ênfase em duration reduzida e gestão ativa de liquidez, em um mês marcado por resgates nos fundos de crédito e fechamento de spreads em segmentos selecionados do mercado.
Mandato e Liquidez: Mandato High Grade, que busca superar o CDI com resgate D+1.
Butiá Plus FIF Renda Fixa
Performance: em junho, o fundo rendeu 1,27% (113,40% do CDI). Nos últimos 12 meses, acumulou 15,44% (104,45% do CDI). O carrego bruto no fim do mês estava em CDI + 1,44% e a duration em 1,39 anos.
Leitura de gestão: O portfólio manteve seu núcleo em ativos High Grade, complementado por posições selecionadas em debêntures High Yield e FIDCs sêniores e mezanino, aproveitando a maior liberdade de gestão para buscar retornos adicionais. A estratégia priorizou diversificação por emissores e setores, duration controlada e caixa tático para capturar oportunidades de descolamento de preços em um mês de maior seletividade no crédito.
Mandato e Liquidez: Portfólio ancorado em CDI+ High Grade, complementado por créditos High Yield selecionados, com tolerância marginal de risco, meta de superar o CDI, resgate D+46.
Butiá Debêntures Fundo Incentivado Infraestrutura RF
Performance: em junho, o fundo rendeu +0,11% ante 0,22% do IMAB-5. Nos últimos 12 meses, acumulou 6,88%, ante IMA-B5 12,12%, líquido de IR. O yield da carteira encerrou o mês em 9,21% e a duration ao final do mês foi de 3,62 anos.
Leitura de gestão: Em junho, ativos incentivados tiveram alta volatilidade e o mercado de infraestrutura sofreu com o aumento dos spreads no IPCA+. O IDA IPCA-Infra registrou -0,06%, enquanto índices ligados às NTNBs foram: IMA-B 0,51%, IMA-B5 0,22% e IMA-B5+ -2,05%.
Mandato e Liquidez: fundo incentivado para PF conforme Lei 12.431, com referência ao IMA-B5 e resgate D+31.
Butiá Top Icatu Seg Previdência Resp Lim FIF RF CP
Performance: em junho, o fundo rendeu 1.12% (100,38% do CDI). Nos últimos 12 meses, acumulou 14,13% (95.60% do CDI). O carrego bruto no fim do mês estava em CDI + 0,64% e a duration em 1,63 anos.
Leitura de gestão: A carteira manteve a lógica do BUTÍA TOP, adaptada às regras do veículo previdenciário, com foco em liquidez e qualidade como principais direcionadores de risco, em um mês de maior volatilidade no crédito privado.
Mandato e Liquidez: Mandato High Grade, que busca superar o CDI com resgate D+7.
MERCADO DE AÇÕES
Butiá Fundamental FIF CIC Ações e Butiá Fundamental Long Biased FIF CIC Ações
Em junho o Butiá Fundamental FIF CIC Ações registrou uma alta de 0,54%, resultando em um retorno de 21,17% em 12 meses. O Butiá Fundamental Long Biased FIF CIC Ações teve uma queda de 0,15% no mês, e nos últimos 12 meses, acumula um retorno positivo de 12,12%. Em comparação, o Ibovespa teve uma queda mensal de 1,01% e acumula uma alta de 23,89% em 12 meses.
Junho foi marcado por um ambiente externo mais volátil e por aumento do prêmio de risco doméstico. No exterior, a reversão parcial do prêmio geopolítico no petróleo trouxe algum alívio para as commodities e para as expectativas de inflação global, mas também pressionou as ações ligadas ao setor de óleo e gás. Esse movimento teve impacto relevante sobre o Ibovespa, dado o peso de Petrobras e de outras companhias do setor no índice. Ao mesmo tempo, a queda do petróleo não foi suficiente para eliminar as incertezas em torno da política monetária americana. A comunicação mais dura do Fed manteve a curva de juros dos EUA pressionada e contribuiu para um dólar globalmente mais forte em parte do mês. No Brasil, apesar do corte da Selic pelo Copom, a curva de juros abriu principalmente nos vértices mais longos, refletindo preocupações fiscais e eleitorais crescentes. Esse pano de fundo continuou limitando o apetite por risco local.
De forma análoga ao observado no Ibovespa, o setor de óleo e gás também foi a principal contribuição negativa dos fundos nos meses, concentrada principalmente nas posições em Petrobras e PRIO. Reduzimos essas exposições ao longo do mês, não por uma mudança estrutural na nossa visão de longo prazo, mas pela piora do momentum do petróleo e pela necessidade de reduzir a sensibilidade da carteira ao tema. Seguimos vendo valor nas companhias: Petrobras continua combinando forte geração de caixa livre e distribuição relevante de dividendos, enquanto PRIO mantém uma tese atrativa de crescimento de produção, maior eficiência operacional e queda gradual de custos. Além disso, AURA33 também teve contribuição negativa relevante, refletindo a queda do ouro no período, pressionado pela força do dólar e pela abertura das Treasuries, que reduzem a atratividade relativa do metal.
Entre as principais contribuições positivas do mês, o destaque foi Itaú, em função da combinação entre o peso relevante da posição na carteira e a valorização das ações no período. O banco continuou sendo beneficiado pela percepção de entrega operacional consistente, com rentabilidade elevada, qualidade de crédito controlada e boa geração de capital, reforçando sua posição como um dos nomes mais defensivos e previsíveis dentro do setor financeiro. Copasa também contribuiu positivamente, impulsionada pela conclusão favorável do processo de privatização e pela entrada da Equatorial como acionista de referência, movimento que melhora a percepção de governança, eficiência operacional e disciplina de capital da companhia. Outro destaque positivo foi Cury, que segue apresentando forte desempenho operacional em um segmento ainda sustentado pelo Minha Casa Minha Vida. Além da resiliência da demanda, a queda do petróleo reduziu parte da preocupação com pressão de custos na construção civil, especialmente em insumos ligados a derivados petroquímicos, combustíveis e logística, o que tende a favorecer empresas com boa execução e capacidade de preservar margens.
Encerramos o mês com menor nível de caixa no fundo, apesar da piora do cenário local. A decisão reflete menos uma visão otimista sobre o curto prazo e mais a percepção de que a assimetria de preços ficou mais favorável em algumas ações depois da realização recente, em um mercado tecnicamente mais leve e com melhor posicionamento. A alocação adicional foi direcionada a nomes em que enxergamos maior visibilidade de resultados e assimetria favorável, incluindo empresas de construção, que se beneficiam dos fatores discutidos acima.
MULTIMERCADO
Butiá Excellence FIF CIC Multimercado e Butiá Excellence Previdência FIF CIC Multimercado
Em junho, o Butiá Excellence FIF CIC Multimercado apresentou queda de 1,52% e o Butiá Excellence Previdência FIF CIC Multimercado registrou queda de 1,43%, acumulando um retorno positivo de 10,88% e 10,80% respectivamente nos últimos 12 meses, contra alta de 1,12% do CDI no mês e 14,78% em 12 meses.
Junho foi um mês bastante desafiador para o fundo. A posição comprada em bolsa brasileira foi a única contribuição positiva relevante, enquanto as posições aplicadas em juros locais e compradas em commodities concentraram as principais perdas. O resultado foi particularmente frustrante porque essas duas exposições foram estruturadas com papel parcialmente complementar: esperávamos que uma eventual queda das commodities ajudasse a curva de juros brasileira por meio de menor pressão inflacionária. Em junho, essa proteção não funcionou.
No book de commodities, o principal vetor negativo foi a reversão do prêmio geopolítico. O avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã e a normalização parcial do fluxo pelo Estreito de Ormuz reduziram o risco de interrupção de oferta, pressionando o petróleo e contaminando outras commodities.
A queda das commodities, porém, não foi suficiente para levar ao fechamento da curva de juros local. Ao contrário, a curva abriu de forma relevante, principalmente nos vértices mais longos, refletindo a combinação de prêmio fiscal e eleitoral, maior incerteza externa e uma leitura mais tolerante do Copom com a inflação no horizonte relevante, apesar do corte de 25 bps da Selic. A decisão foi interpretada como dovish pelo mercado por manter aberta a possibilidade de novos cortes mesmo com projeções de inflação mais altas e riscos fiscais ainda presentes.
No exterior, a primeira reunião do FOMC sob o comando de Kevin Warsh manteve os juros americanos estáveis, mas trouxe uma comunicação mais dura em relação à inflação. O Fed reforçou o compromisso com a estabilidade de preços e as projeções continuaram apontando juros elevados por mais tempo. Esse ambiente contribuiu para a abertura das taxas americanas e para um dólar globalmente mais forte em parte do mês, pressionando ativos de risco e moedas emergentes.
Nos últimos dias, a queda do petróleo e dados mais fracos do mercado de trabalho americano aliviaram parte das preocupações com uma alta iminente de juros pelo Fed. Ainda assim, a bolsa americana teve composição mais irregular. A economia segue saudável, os lucros corporativos continuam crescendo e houve alguma rotação para setores menos dependentes do tema de inteligência artificial. Ao mesmo tempo, ações ligadas a tecnologia e semicondutores sofreram com questionamentos sobre valuation, sustentabilidade de margens e retorno dos investimentos pesados em infraestrutura de IA. O S&P 500 encerrou junho em queda, embora ainda venha de um trimestre e de um primeiro semestre fortes.
No Brasil, o pano de fundo eleitoral continuou relevante para os preços. Pesquisas recentes seguem mostrando Lula à frente de Flávio Bolsonaro em cenários de disputa presidencial, o que mantém elevada a preocupação do mercado com a trajetória fiscal. Além disso, a campanha de Flávio atravessou novas fontes de ruído, incluindo a repercussão do caso Daniel Vorcaro/Banco Master e a crise pública com Michelle Bolsonaro, que deixou a presidência do PL Mulher após o conflito familiar. Não é possível mensurar com precisão o impacto de cada evento nos ativos, mas o conjunto reforçou o prêmio de risco político e fiscal, especialmente na ponta longa da curva de juros.
Na carteira, compramos dólar contra real de forma tática, diante da força do dólar global em parte do mês, da sazonalidade menos favorável e do aumento do risco eleitoral e fiscal doméstico. Aumentamos a posição em bolsa brasileira, apesar da piora do cenário local, por enxergar assimetria de preços mais favorável depois da realização recente e um mercado tecnicamente mais leve. Mantivemos a bolsa americana como principal alocação de risco, ainda sustentada por uma economia resiliente, crescimento de lucros e valuation que consideramos razoável no agregado, embora reconhecendo a validade dos questionamentos recentes sobre IA e concentração de mercado.
Zeramos as posições em commodities após a redução do prêmio de risco associado ao Estreito de Ormuz. Também zeramos a posição aplicada em juros brasileiros, dado que o book passou a carregar sensibilidade excessiva ao vetor eleitoral e fiscal. Encerramos o mês com risco total levemente abaixo do neutro, buscando preservar flexibilidade para recompor posições à medida que os prêmios se ajustem e a visibilidade do cenário melhore para o metal em função da alta dos juros americanos. Por último, estamos praticamente zerados em criptomoedas, dada a trajetória negativa recente de preços e sua maior sensibilidade ao aperto das condições financeiras globais. O nível de risco atual do fundo está um pouco abaixo do neutro.

